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ABADIA DOS DOURADOS
Por volta do ano de 1850, tendo conhecimento da existência
de enormes jazidas de diamantes e de ferteis terras à margem do Rio Douradoos, garimpeiros e agricultores ali fixavam
residência em ranchos de pau a pique. A povoação recebeu o nome de Arraial do Garimpo, possuindo uma pequena capela dedicada
ao culto de Nossa Senhora da Abadia que deu o nome a atual Abadia dos Dourados. A paróquia foi criada em 25 de setembro
de de 1886 pela Lei Provincial nº 2874, com terrenos doados pelas famílias Arruda e Esteves dos Santos em 1884. Em 24 de outubro
de 1886, instalou-se a paróquia, que teve como primeiro vigário o Padre Manoel Luiz Mendes. Através da Lei nº1670, ficou subordinada à
freguesia de Coromandel. Pela Lei nº1678 de 1870, incorporou-se ao Distrito de Abadia dos Dourados parte do territorio de
Lagamar. Em virtude da Lei nº 843 de 07 de setembro de 1923, Abadia dos Dourados passou a pertencer ao municipio de Coromandel
e pela Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, foi criado o município de Abadia dos Dourados, cuja instalação se deu a 1º de
janeiro de 1949.
FATO HISTÓRICO IMPORTANTE QUE MERECE INVESTIGAÇÃO:
Segundo o Sr. Laerte Esteves dos Santos, bisneto do fundador da cidade, Manoel Esteves dos Santos,
o seu bisavô era amigo íntimo de Tiradentes e veio foragido de Sao Joao Del Rei para Abadia dos Dourados e com ele trouxe
inumeras cartas de Tiradentes. Estas cartas estavam em um bau de metal que foi enterrado por volta do ano de 1965, pela avó
do sr Laerte, em um local próximo a cidade.
Eu mesmo estive no local, juntamente com o sr Sebastião Vilela e o sr Zico Esteves, que descobrimos,
porque a neta do sr Laerte estava presente quando sua vó enterrou o baú e ela mesma nos mostrou o local. Como já se passaram
vários anos que o baú foi enterrado, somente com uma pesquisa arqueológica e com bastante calma poderá se encontrar essa
jóia cultural.
POESIA
OS BONS TRUQUEIROS
Seu moço sou um bom truqueiro, mas nasci que nem um tingui. No truque sou ruim como um
cascavel mas pior do que sucuri.
Se meu avô foi um bom truqueiro eu nao podia ficar na toca raspando no
caititu a massa da mandioca.
Bebedô de pinga Zurico possuindo carne e caroço eu nunca topei um truqueiro
que me fizesse sobrosso.
Eu nunca drumi uma noite pru baixo dum jequitibá nasci pra viver nas grota pra
viver nos mocoçá.
Pra drumi longe dos rancho pru riba dos gravatá vendo a lua pelas folha num formoso
iriribá
Mas nada disso me faz, seu moço, meu coração se batê do que trucá numa espadilha e vê o adversário
corrê.
Vou terminar os meus versos com orgulho e com alegria pra mode ter mostrado aos carmelitanos o
que é truqueiro da Abadia
Aderbal Marra - Abadia dos Dourados
PATROCÍNIO
A
fundação de Patrocínio deu-se em 1772 por ordem do Conde de Valadares, então Capitão General das Minas Gerais, que ordenou
ao Capitão Inácio de Oliveira Campos que se estabelecesse no local. Pela propriedade de Inácio Oliveira Campos, que se
denominava Fazenda do Brumado dos Pavões, passaram todas as bandeiras que de 1772 para diante demandaram aos sertões de Goiás,
podendo-se citar entre elas a de Anhanguera (Bartolomeu Bueno da Silva), Lourenço Castanho e outras. Quando foi descoberto
o famoso diamante Estrela do Sul, em 1852, o Distrito Diamantino de Bagagem pertencia a Patrocínio. O Distrito deve sua
criação à Resolução Régia de 22 de dezembro de 1812, confirmada pela Provincial de nº 114, de 09 de marco de 1839. O
município foi criado com a denominação de Nossa Senhora do Patrocínio com Território desmembrado de Araxá, ao qual pertencia,
pela Lei Provincial de nº 171, de 23 de marco de 1840, ocorrendo a instalação a 07 de abril de 1842. Na divisão administrativa
de 1911, aparece o município com 05 Distritos: Sede, Serra do Salitre, Coromandel, Abadia dos Dourados, São Sebastião da Serra
do Salitre e Cruzeiro da Fortaleza.
ESTRELA DO SUL
Fundada pelo bandeirante João Leite da
Silva Ortiz, em 1722, quando este saindo de São Paulo com destino a Goiás, se deteve às margens de um rio e constata a grande
quantidade de diamantes ali existentes. Descendo ao longo deste rio, as bagagens eram depositadas em um certo ponto que
ficou sendo chamado de Bagagem, cedendo o nome ao rio e ao povoado ora fundado. O povoado da Bagagem se compunha de dois conglomerados:
Cachoeira e Joaquim Antônio, que veio a ser distrito de Santa Rita de Estrela. Os escravos construiram para eles a imponente
Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Distrito de Joaquim Antônio. Com a notícia da descoberta de diamantes, nasce o
povoado da Bagagem Diamantina. Alem das riquezas minerais, a região era dotada de terras férteis, o que propiciou a agricultura
e a pecuaria. Imponentes casarões surgiram no perímetro urbano e grandiosas construções abrigaram sedes de fazendas.
A Bagagem tornou-se, na época, um centro comercial importantíssimo. Aqui se encontravam artigos importados da Europa e nacionais
diversos. Em 02 de março de 1853 foi encontrado o famoso diamante Estrela do Sul, de qualidade rara, pesando 254,5 quilates.
Com a corrida de diamantes a Bagagem atraiu exploradores de divrsas partes do pais. De São Domingos do Araxá veio Anna Jacinta
de São José, conhecida como Dona Beija. A famosa cortesã do Brasil Império, com vida penitente e espírito empreendedor, investiu
em garimpos e deixou benefícios na cidade. Faleceu em dezembro de 1873 e está sepultada onde hoje se localiza a Praça da Matriz.
Pela Lei nº 777, de 30 de maio de 1856 é concedida ao povoado autonomia municipal com elevação de Vila, entendendo
assim como emancipação. A Lei 1101 de 19 de setembro de 1861 eleva a Vila de Bagagem à categoria de cidade. Crescendo
sempre, chegou a ser um dos mais importantes centros comerciais da Província, segundo declarou o Deputado Padre e mestre Modesto
Caldeira num discurso pronunciado na Assembleia Provincial em 1873. A Lei 319, de 16 de setembro de 1901 determina em um dos
seus artigos que a Cidade da Bagagem passe à denominacao de Estrela do Sul, nome que passou ser aplicado à Comarca
e ao município. O nome se deve ao diamante, que, na Europa, foi chamado de a Estrela do Continente Sulamericano, consequentemente
Estrela do Sul. Estrela do Sul é hoje a única cidade da regiao do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba que guarda o
maior numero de construções coloniais

ESTRELA DO SUL (ANTIGA BAGAGEM) E ARAGUARI - BERÇO DA IGREJA EVENGÉLICA
João
Boyle, era do condado de Spencer, Virgínia, educado no Center College in Kentucky e no Union Seminary de Richmond. Em
1873 chegava ao Brasil, aportando em Recife, com a esposa, onde devia exercer o seu ministério. Antecipou-o o Rev. Rockwell
Smitt, que naquele mesmo ano ali chegara, no mês de janeiro. O clima quente do nordeste nao foi favorável aos Boyles,
por isso pediu sua transferência para Campinas. Em Mogi-Mirim recebe correspondência de dois jovens em cujas mãos caíra
uma Bíblia a qual vinham lendo desde algum tempo. Segundo o testemunho de Dª Ester Goulart Siqueira Tillman, neta de Tertuliano
Golart, um daqueles moços, foi através de um número da imprensa evangélica, que souberam de um missionário americano, chamado
João Boyle, que se oferecia para explicar o evangelho a quem o procurasse. O contato imediato com o missionário, por carta,
trouxe-o a Bagagem de onde fora escrita a carta. A demora de Boyle, que não pode atender logo o pedido dos leitores da Biblia,
fez com que já não encontrasse mais ali os moços, os quais tinham transferido residência para Araguari. Procurou-os, então,
em Araguari, encontrou-os e, julgando-os preparados, recebeu-os em profissão de fé. (Eu Tertuliano Goulart, minha esposa Maria
Otília, Querubino dos Santos, Querubina Firmina de Carvalho e Teodolino Mendes Carvalho, nós fomos os primeiros membros da
Igreja Presbiteriana de Araguari e de todo o Triângulo Mineiro) - O ano era de 1884, são palavras do jovem Tula, como era
chamado na intimidade - Tertuliano Goulart, conforme relata sua ilustre neta. Aqueles recém convertidos acabaram voltando
para Bagagem onde mantinham o Jornal (O Garimpeiro) e ali iniciaram o trabalho evangélico, o que levou João Boyle a vir fixar
residência na cidade de Bagagem (Texto extraido do livro Pequena História da Missão Oeste do Brasil - Rev. Wilson Castro
Ferreira)
| RESIDÊNCIA DE JOÃO BOYLE |

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HISTÓRICO DO TRIÂNGULO MINEIRO
Em 1722 a expedição de Bartholomeu Bueno
da Silva Filho partiu de SÃo Paulo rumo a Goiás, fazendo picadas, resultando mais tarde na Estrada do Anhanguera. Partindo
de Sao João Del Rey cruzou o Rio São Francisco, proximo da Barra do Bambuí, seguiu pela Serra de Marcela, proximidades de
Araxá, Patrocínio, Coromandel, Paracatu e Goiás. O Governador Martinho Mendonça de Pina Proença ordenou a abertura de uma
estrada para ligar as Minas a Goiás. A comissão de abertura da estrada , com receio dos bravos Araxás, modificou o seu traçado.
Entre os homens que compunham esta comissão, alguns se desligaram e formaram uma bandeira chefiada pelo Guarda-Mor Feliciano
Cardoso de Camargo, Estanislau de Toledo Piza, Agostinho Nunes Abreu, Francisco Xavier do Prado, Simão Dias Pereira e outros
mais, além de índios mansos, acompanhados do padre Antonio Martins Chaves. A estrada deveria partir do centro de Minas e atravessar
em linha reta todo o sertão rumo a Goiás. Seguindo esta direção atravessaria as Serras do Marcelo, Urubu, Samambaia e, também,
a Serra do Salitre, região onde viviam os aguerridos indios. Mas a comissão incumbida da abertura desta estrada desviou-se,
seguindo em direção de Santa Fé Paulista até São Marco. Em 1736, a bandeira desgalhada cortou a Serra da Pratinha, ganhou
o vale do Rio Uaimii, das Abelhas, e das Velhas (hoje Araguari). O Guarda-Mor Feliciano resolveu ai permanecer. Escasseando
os minérios no centro das Geraes, os exploradores a procura de outros filões auríferos, dirigiram-se e agruparam-se nas cabeceiras
do Rio Araguari formando uma corrutela, o Arraial do Tabuleiro. Esta população foi atacada pelos quilombolas, aliados aos
índios Caiapós e Araxás e pouca gente escapou com vida. Os sobreviventes levaram a noticia a Pitangui, a Sao Bento do Tamanduá
(hoje Itapecerica) e Paracatu, enaltecendo a quantia do ouro. Em 1743, abaixo das ruinas do Taboleira, uns 100 km, aproximadamente,
fundaram outro povoado, desta vez com o nome de Nossa Senhora do Desterro das Cabeceiras do Rio das Abelhas, mais tarde Desemboque
do Rio Grande, que deu origem ao Sertão da Farinha Podre, região que se extende entre os rios Grande e Paranaíba. Desemboque
foi a expressão dita aos índios pelos bandeirantes querendo dizer: desocupem o emboque de ouro e o desemboque dos bandeirantes.
Nao foi fácil a penetração, devido a existência de quilombos e os restantes dos índios Caiapós, cuja fama perdurava. Provavelmente
um dos Quilombos atuantes era o do Negro Ambrózio, localizado onde hoje é o município de Ibiá. Depois de exterminados
os quilombolas, toda a região foi explorada e povoada por expedições partidas de Pitangui, Sao Bento do Tamanduá e de Paracatu.
A bandeira que partiu de Pitangui foi chefiada por Antônio Colaca e, pouco depois, a de Manoel José Torres e Antônio da
Silva Cordeiro. De Tamanduá seguiu o grupo comandado pelo Sargento Mor Manuel Alves Gondim. De Tamanduá Padre Gaspar Alves
Gondim ia periodicamente ao Arraial das Abelhas ministrar a parte religiosa. A fama afluía gente de toda parte, chegando
de Jacuí (sul de Minas), de São Pedro de Alcântara continuadamente partiam comboios de mantimentos rumo a capital do ouro.
E o Padre Marcos Freire de Carvalho, com fama de contrabandista nao encontrou nenhuma autoridade eclesiástica que lhe desse
a nomeação que ele pleiteava. Foi a São Paulo e conseguiu de Dom Antônio da Madre de Deus a nomeação de vigário do Arraial
das Abelhas. Em 1748, ocorreu a criação da Capitania de Goiás, que até então era parte integrante da Capitania de São
Paulo; e os julgados de Araxá e Arraial das Abelhas, na época, pertenciam a chamada regiao de Goiás Paulista. Em razão do
pouco conhecimento sobre a geografia local, os dados são imprecisos, têm falta de exatidão a respeito das terras entre os
rios Grande e Paranaíba. Em 1763, O Arraial das Abelhas ja ostentava certa imponência e o florescimento do ouro era grande.
Familias vindas de diversas regiões residiam no Arraial onde o Padre Gaspar Alves Gondim passou a ser vigário. Devido
a fartura do garimpo e exuberância dos terrenos, a região tornou-se ponto de discórdia entre os governadores das Gerais e
de Goiás, ambos, justificando sua posse. A descoberta de ouro e diamantes no interior de Goiás e Mato Grosso e a propagação
da notícia de ouro abundante no Rio das Abelhas, provocaram a formacao de Arraiais e a região tornou-se ponto de passagem
obrigatória para as populações litorâneas do país naquelas terras. O padre Félix Jose Soares da Silva, que não passava
de um criminoso vulgar, conhecia a fundo a história nefasta do jugo português e com uma pregação convincente levou o povo
contra Portugal e também contra as Minas. O Governador Lobo da Silva vendo quão perigosa era a pregação, muniu-se de uma ordem
de prisão do Cabido de Mariana e prendeu o padre. Em Vila Rica o Governador mandou relaxar a prisão com a justificativa de
seu caráter eclesiástico. O padre fugiu, vindo a morar no Arraial das Abelhas em 1765. Em março de 1766 os garimpeiros que
ali viviam, não estavam satisfeitos com a fiscalizacao exercida pelo Governador e revoltaram-se contra a cobrança do quinto
do ouro, que achavam rigorosa e injusta. Por isso, desejavem que o Arraial e, com ele, toda a região ficassem pertencendo
a Goiás. Aproveitando o ensejo o Padre Félix preparou um abaixo-assinado com os habitantes do lugarejo, pedindo a anexação
a Goiás. Chegando a Vila Boa de Goiás, ardilosamente convenceu o Governador Dom Joao Manuel de Mello de que o Triângulo
Mineiro, por direito, pertencia a Goiás. O Governador, também esperto, vendo no plano do padre revoltado, boa forma de aumentar
as rendas de sua minguada Capitania, endossou o plano e foi em seguida feita a ocupação do vasto território. Foi quando militares
de Goiás invadiram e se assenhorearam do arraial e de toda a regiao. Em 1763, o Bispo de Mariana, Frei Dom Manuel da Cruz,
protestou energicamente contra a usurpação do Desemboque, que estava dentro de sua diocese. As autoridades regionais, sobretudo
de Tamanduá, protestaram contra a usurpação praticada pelo Governo de Goiás. O Governador de Minas, Luis Diogo Lobo da Silva,
determinou ao seu representante no Desemboque, que fizesse seus protestos pacificamente, sem barulhos. No seu ofício, o Governador
rememorou as diversas expedições que descobriram e povoaram a regiao. Dos argumentos do Conde de Valadares pode-se deduzir
que a culpa recaiu sobre o Governador Luis Diogo, porque não permitiu qualquer reação das autoridades mineiras. O Conde de
Valadares dirigiu ofício com o protesto enérgico ao Capitao General de Goiás, João Manuel de Melo, contra o esbulho e dano
gravíssimo ao real interesse, ao bem dos povos, ao sossêgo público e administração da justiça. Em 1778, Pedro Teixeira
de Carvalho, de Tamanduá, ainda protestava contra arbitrariedades dos soldados de Goiás, em terras povoadas por gente de Minas.
Esse imenso território com 94.500 km, anexado à Comarca, intercalada de Vila Boa de Goiás (nome da antiga capital) recebeu
o nome de Comarca do Novo Sul. O Governo de Minas assistia de braços cruzados a usurpação desse importante território. A medida
que o ouro da superficie facilmente encontrado na área dos córregos e ribeiroes recuava para as entranhas do subsolo, os aventureiros
do Arraial tentaram entradas para o interior das terras virgens, procurando meios de construir sítios e fazendas de criar;
aproximadamente em 1803, houve imigração. Ao sul do Desemboque fica o Rio Grande dividindo os Estados de Minas Gerais e São
Paulo, em cujas mediações, mas nao muito próximo, está situado o Porto da Ponte Alta, onde desembocavam diversas estradas
com ligações para o povoado, causa talvez, de sua denominacao: Desemboque do Rio Grande. Em 1807, divulgaram a notícia
que os índios Caiapós haviam abandonado a região em demanda a Goias e Mato Grosso. Neste mesmo ano transferiu-se para o Desemboque
o Sargento Mor Antônio Eustáquio da Silva de Oliveira trazendo consigo parentes e colonos. Era este natural de Casa Branca
(Glaura), próximo de Ouro Preto. Em 27 de outubro de 1809, o Marquês João da Palma, Governador da Capitania de Goiás, nomeou
o Sargento Mor Antônio Eustáquio da Silva de Oliveira comandante e regente do sertão. Em julho de 1810, formou-se uma
bandeira chefiada pelo Sargento Mor Antônio Eustáquio da Silva de Oliveira, com o objetivo de desvendar essa região, entre
rios, e tomaram parte nesta expedição: Januário Luis da Silva, José Gonçalves Heleno, Manoel Francisco, Manuel Bernardes Ferreira
e outros. Partiram do Desemboque, atravessaram as campanhas dos rios da Prata, Tijuco e Passa Três, atingindo o Rio Paranaiba
nas imediações do local que mais tarde passou a denominar-se Porto de Santa Rita dos Impossíveis, depois Santa Rita do Paranaíba
e por fim Itumbiara. Cansados e com escassez de víveres e temerosos dos índios Caiapós, regressaram ao ponto de partida.
No percurso foram colhendo os viveres que deixaram ocultos nas copas das árvores com previsão de regresso. Às margens de um
ribeirão, nas proximidades de Engenheiro Lisboa, antiga estação férrea de Mogiana, retiraram do esconderijo uma bruaca de
couro cru contendo farinha deteriorada pelo tempo. Razão de lhe ter sido dada a denominação de Ribeirão da Farinha Podre,
cujo topônimo generalizou-se por toda a regiao e como tal tratada pelos Poderes Públicos. Essa bandeira levou a fama para
bem longe das grandezas da região. O Sertão da Farinha Podre foi denominado civil e eclesiasticamente durante meio século,
pelas autoridades goianas. Em 1812, o Major Eustáquio, nomeado curador dos índios, fez novas incursões pelo sertão
da Farinha Podre, acompanhado do capelão, Padre Hermógenes Casimiro de Araujo Brunswick, natural de Conceição do Mato Dentro,
Minas Gerais, ordenado em Sao Paulo a 2 de setembro de 1808. O padre foi o primeiro visitante da Comarca de Novo Sul, Campanha
do Prata, ou sertao do Rio da Prata e desempenhou com brilho o cargo de Deputado Provincial. 1816 As terras denominadas
Sertao da Farinha Podre, pertencentes a Capitania de Goias, passaram para os domínios da antiga Provincia de Minas Gerais,
anexada a ouvidoria de Paracatu do Príncipe, julgado do Desemboque e Prelazia de Goiás. Auguste Saint-Hilaire informou-se
que em 1816, o DEschwege visitou a povoação do Desemboque, que se compunha de sessenta e cinco casas, e apresentaram-se dois
velhos bem dispostos e cheios de vigor, dos quais um tinha 108 e o outro 115 anos de idade. Desemboque passou de cabeça de
julgado a ser arraial, Lei nº 28 de 22/02/1836, suprira o julgado tornando-o um modesto distrito de Sacramento. Em 1840,
Desemboque passou a pertencer à Comarca do Rio Paraná com sede em Uberaba, foi a Vila pela Lei nº 472 de 31/05/1850.
Em Desemboque os garimpeiros o povoaram com rapidez e do mesmo modo o abandonaram. Foi caminho e ponto de abastecimento para
os mineradores durante o fluxo de 1750 e 1800 a entrada da decadência. Hoje, Desemboque é um marco do passado, importante
na história do Estado de Minas Gerais e do País. É o berço na descoberta e desenvolvimento das cidades e fazendas, e
o começo e o fim do Sertão da Farinho Podre. Está adormecido, mas poderá despertar.
Texto extrado do Livro (Fagulhas
de Histórias do Triângulo Mineiro de Maura Afonso Rodrigues)
ITUIUTABA
I T U I U T A B A
(Evocação)
Belo Horizonte,
agosto de 1965
(Aloísio Novais)
I (rio) TUIU (tijuco) TABA (cidade)
Do Tupi-guarani tão belo nome
–
São José, Vila Platina, que
saudade:
Longe, sinto tristeza que me
consome.
Do lugarejo simples e empoeirado de outrora
Das belas tardes e das manhãs
sempre festivas –
Sinto reportar-me a ele a toda
a hora
Em recordações ternas, saudosas
e evocativas.
A serra “D’Aroeira”
lá na campina verdejante
Marco eterno a emoldurar a
linha o horizonte
Do planalto extenso e infinito
que não se acaba.
E aqui, o “Tijuco” parece sempre murmurar
Uma prece em seu doce e contínuo
marulhar
Para que Deus Guarde essa querida
ITUIUTABA.
“Infeliz
de um povo que não tem história”.
ALOISIO SILVA NOVAIS
Área do município ........................................................................ 2.694 km²
Altitude ............................................................................................. 604m
POPULAÇÃO
Urbana ...............................................
aproximadamente 70.000 habitantes.
Rural .................................................................................
20.000 habitantes.
LIMITES
Da área primitiva
do município de Ituiutaba, se desmembraram, inicialmente, os distritos de Santa Vitória (Lei nº 336, de 27/12/1948) e o de
Capinópolis (Lei nº 1.039, de 11/12/1953), ambos elevados à categoria de município.
Já em 30/12/1962,
por força da Lei nº 2.746 (Estadual) emanciparam-se também os dois restantes distritos: o de Gurinhatã e o de Ipiaçu, que
alcançaram a condição de municípios autônomos, voltando Ituiutaba a constituir-se novamente de um só distrito, ficando destarte
assim configuradas as divisas territoriais deste município, tendo em vista esta última Lei.
LIMITES ATUAIS
A NOROESTE,
divide-se com o Estado de Goiás, pela margem esquerda do rio “Paranaíba”, daí, rio abaixo até a
barra do córrego do “Buriti”, quando se iniciam os limites com o município de IPIAÇU, segue pelo
córrego acima até sua cabeceira, e daí em rumo reto até alcançar a nascente do córrego do “Macaco”, seguindo
por este abaixo até sua foz com o rio do “Tijuco” (margem direita), onde começa a divisa com o município
de GURINHATÃ (OESTE), continua rio acima, passando pela confluência deste com o rio da “Prata”,
e continua por este último rio acima, pela sua margem direita até encontrar a barra do córrego do “Monjolinho”,
do outro lado do rio da “Prata”, portanto margem esquerda do mencionado rio, continuando ainda fazendo divisa
com Gurinhatã, pelo córrego do “Monjolinho” acima, até a sua cabeceira, (SUDOESTE), e desta, em rumo reto
até alcançar a serra do “Botafogo” ou “Arantes”,
onde se inicia a divisa com o município de CAMPINA VERDE, pelo veio da mencionada serra, seguindo à esquerda, (SUL),
até o rumo da cabeceira do córrego da “Divisa”, e por este abaixo até sua barra com o rio da “Prata”(margem
esquerda), e por este acima até sua confluência com o ribeirão do “Douradinho” (margem esquerda do rio
da “Prata”) onde começa os limites com o município do “Prata”), continuando pelo “Douradinho”
acima (margem direita), até à barra com o córrego do “Barreiro”, e por este acima até sua cabeceira (SUDESTE),
e daí em linha reta, até alcançar os altos da serra de “São Lourenço”, continuando ao longo desta, até
atingir a direção da cabeceira do córrego do “José Paula” (LESTE), e por este abaixo até sua barra
com o rio do “Tijuco” (margem esquerda), passando neste ponto a dividir com o município de Monte Alegre
de Minas (LESTE) em pequena extensão, ao longo do rio do “Tijuco”, até sua barra com o córrego do
“Retiro” (ainda à margem esquerda do “Tijuco”), quando passa ter divisas com o município de
CANÁPOLIS, pelo referido rio do “Tijuco”, até sua barra com o córrego da “Cotia”, do outro
lado, ou seja, em sua margem direita (do “Tijuco), e ainda dividindo com Canápolis, e pelo córrego da “Cotia”
acima até sua nascente (NORDESTE), e desta, pelo veio do espigão até encontrar o morro do “Bauzinho”
(NORTE), mas antes, na fazenda do “Tavares”, pouco acima da cabeceira do ribeirão dos “Baús”,
(margem direita), se inicia efetivamente a divisa com o município de CAPINÓPOLIS (NORTE), que continua deste último
ponto até ao morro do “Bauzinho”, e deste, em rumo reto até a serra do “Baú Velho” (NOROESTE),
e desta serra, à direita pelo veio do espigão, até alcançar o córrego das “Flores”, águas vertentes, pela
sua margem esquerda, e nesta direção, até a barra deste com o ribeirão do “Queixada”, e daí até a foz deste
ribeirão com rio “Paranaíba”, sempre pelo veio do espigão, ficando o “Queixada” à direita desta divisa
com Capinópolis, quando a linha divisória chega novamente em frente ao Estado de Goiás, nossa divisa através do rio “Paranaíba”
(NOROESTE), aí se encontrando com o ponto inicial desta demarcação descritiva.
COMPLEMENTO
(Ampliação da área urbana,
de conformidade com a Lei nº 1642, de 28 de maio de 1974, publicada na 6ª página de “Cidade de Ituiutaba”,
de 29/05/1974, no seguinte teor):
LEI (MUNICIPAL)
Nº 1642, de 28 de maio de 1974.
(Altera o Plano Diretor Físico de Ituiutaba, constante
da Lei nº 1362, de 10 de dezembro de 1970).
A Câmara Municipal
de Ituiutaba decreta e eu sanciono a seguinte lei:
Art. 1º - Fica incorporado
à área urbana da cidade de Ituiutaba, o imóvel que tem os seguintes limites e confrontações:
Começa na Barra
do Córrego do Carmo com o rio Tijuco; segue rio acima na extensão mais ou menos de 1.400 metros até alcançar o perímetro urbano;
vira á direita até alcançar a avenida dos boiadeiros; depois sobe a avenida dos Boiadeiros, na extensão de 670 metros até
a Rodovia BR-365; depois vai à margem da Rodovia até o Córrego do Carmo; desce a margem do Córrego do Carmo encontrando o
ponto de começo.
Art. 2º - Fica alterada
a Planta de zoneamento de Uso do
Solo, de fls. 7, do Plano Diretor Físico de Ituiutaba, para a incorporação da área mencionada no art. 1º desta Lei, à sua
Zona industrial.
Parágrafo Único
– Faz parte integrante e complementar desta lei, nos termos do art. 3º da Lei nº 1.362, de 10 de dezembro de 1970, a
inclusa planta.
Art. 3º - Revogadas
as disposições em contrário, entrará esta lei em vigor na data de sua publicação.
Mando, portanto,
a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da presente lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente
como nela se contém.
Dada na Prefeitura
de Ituiutaba, aos 28 de maio de 1974.
Fued José Dib
- Prefeito de Ituiutaba
-
HISTÓRIA ANTIGA DE ITUIUTABA
ALOISIO SILVA MORAIS
I - O
INÍCIO E A EPOPÉIA DOS PIONEIROS
O topônimo ITUIUTABA
é de origem tupi-guarani, cuja significação é a seguinte: “I” (rio),
“TUIU” (tijuco), “TABA” (povoação, aldeia, cidade), portanto – cidade do rio do tijuco.
Ituiutaba é parte
integrante do Triângulo Mineiro, zona ocidental do estado de Minas Gerais, a qual tem os seguintes limites: ao leste
o restante do estado de Minas Gerais; ao norte o estado de Goiás e também o estado de Mato Grosso e ao Sul o
estado de São Paulo.
Ituiutaba fica entre dois grandes
rios: “Paranaíba” e “Grande”; entre dois rios médios:
“Tijuco” e “Prata”; entre dois ribeirões: “São
Lourenço” e “São Vicente” e entre dois pequenos córregos ela
se iniciou: “Sujo” e “Pirapitinga”.
Ituiutaba se localiza,
portanto, em pleno “planalto central” do Brasil.
Antes de sua colonização,
a região era denominada pelos índios “Caiapós”, que eram os verdadeiros donos das terras. Denomina-se como “Caiapós”
todas as nações indígenas que viveram nesta região. Não houve até o momento um estudo científico para definir quais as verdadeiras
nações indígenas habitavam no princípio na região de Ituiutaba. Há indícios de índios “Aratus” na região devido
ao achado de várias panelas indígenas de formato cônico. Por toda a região são encontrados vestígios de civilizações indígenas.
PRÉ-HISTÓRIA
DE ITUIUTABA
Tão pouco divulgada e tão pouco estudada é a nossa pré-história. E não deveria ser, pois
temos grandes testemunhos das passagens dos índios em nosso município. São panelas indígenas, cacos cerâmicos, machadinhas,
pedras lascadas e pedras polidas, que dão testemunho da existência de povos pré-históricos em nosso município.
QUEM HABITAVA NESTAS TERRAS?
Ainda não foi feita nenhuma pesquisa científica para dizer com mais precisão, que povos indígenas habitavam por aqui.
Segundo escritores antigos a região era habitada pelos índios Caiapós, outros falam em Tupis-Guaranis e Aratus. Enfim, só
através de estudos científicos poderemos realmente conhecer com mais clareza os povos que aqui viveram no passado, há milhares
de anos.
Esse material foi produzido pelos índios há milhares de anos atrás. São ferramentas de pedra polida, conhecido em arqueologia
como material lítico polido. Eles possuíam uma técnica de deixar a pedra polida para corte. É uma técnica que comprova a inteligência
daqueles povos. Toda a nossa região é cheia dessas pedras.
PEDRA DE RAIO
Essas machadinhas, também são conhecidas como PEDRA DE RAIO.
Segundo pesquisadores ela começou ter esse
nome, porque os índios colocavam as machadinhas nas raízes das plantas em desenvolvimento. E quando essas plantas estavam
transformadas em grandes árvores, eles derrubavam a árvore e pegavam a machadinha com um cabo feito pela raiz que se enrolou
nela. Mas como eram muitos índios e muitos colocavam as pedras nas raízes das plantas, muitos não pegavam a pedra e até esqueciam.
Com o passar do tempo e com a saída dos índios, muitas árvores, hoje em dia, são derrubadas pelos raios e nas suas raízes
há machadinhas colocadas pelos índios. Sem saber da história, muitas pessoas achavam que as pedras polidas eram trazidas pelos
raios.
Foram encontrados pela equipe de trabalho do Departamento de Cultura três sítios arqueológicos que estão localizados
na região denominada Praião, Povoado de Santa Rita e Região do São Lourenço. Estes sítios arqueológicos comprovam a existência
de civilizações pré-históricas organizadas em nosso município. Possuíam formas de organizações próprias.
CACOS CERÂMICOS – SÃO LOURENÇO
Ituiutaba está entre a região do Triângulo Mineiro
com possibilidades de grandes descobertas na área arqueológica, pois em Cachoeira Dourada, cidade vizinha, que já pertenceu
a Ituiutaba, é grande o número de sítios arqueológicos lá encontrados.
O Triângulo Mineiro, em sua maioria de cidades, possui vários sítios arqueológicos. Em Cachoeira Dourada foram catalogados
mais de 10 sítios. Em Centralina existe uma das maiores descobertas de ossada pré-histórica. Perdizes, Cascalho Rico, Iraí
de Minas, Campina Verde, Carneirinho, Santa Vitória, Tupaciguara, Ipiaçu, Capinópolis, Canápolis, Araporã, Monte Alegre de
Minas e outros, possuem histórias comprovadas da existência de sítios arqueológicos.
Cachoeira Dourada por ser muito rica em caça e pesca atraía milhares de índios.
Deduzimos,
então, que o Triângulo Mineiro era uma área com uma população indígena bastante grande. Haviam milhares de nações indígenas
espalhadas por esse Triângulo afora. Por isso que precisamos, urgentemente, de uma pesquisa voltada para o resgate de nossa
pré-história.
Segundo
documentos e depoimentos antigos os índios Caiapós, aldeados às margens do Rio Grande, tiveram como protetores os Padres da
Missão, estabelecidos em Campo Belo (atual Campina Verde), que sempre os ajudavam ministrando-lhes os ensinamentos religiosos
e socorrendo-os materialmente. Estes índios habitavam numa aldeia indígena, batizada com o nome de São Francisco de Sales
(atual município de São Francisco de Sales), pelo Pe. Jerônimo Gonçalves de Macedo.
Em
1845, os indígenas com o auxílio de alguns agregados e sob a direção do Pe. Jerônimo, edificaram uma igreja decente, embora
desprovida de alfaias.
Foram
os índios, os cavouqueiros e abridores das lavras e betas auríferas durante o grande ciclo do vulgo metal em Minas Gerais,
Mato Grosso e Goiás.
Os índios formaram
a vanguarda das audaciosas e prolongadas bandeiras paulistas. Saint Hilaire, o sábio viajante que percorreu tantas regiões
no país, na sua viagem às nascentes do Rio São Francisco, faz referências ao aldeamento de Sant’Ana, sua fundação e
aos índios do litoral, seus primeiros habitantes.
Na monografia de Nova Ponte, escrita pelo médico Soares de Faria, afirma que a cinco léguas (trinta km) de Nova Ponte
existiu a Aldeia de Sant’Ana do Rio das Velhas (atual Indianópolis). Eram índios Xacriabás, vindos de Goiás, ali aldeados.
Hoje já não existem: fundiram-se na população, ou talvez tenham voltado ao primitivo habitat. Entre Uberaba e Frutal existiram
até o século passado, os Bororós, que se transportaram para o Mato Grosso. Os Caiapós e Panarás, até meados do século XIX,
ainda viviam nos recessos do Triângulo Mineiro, como também o gentio Goiás. Os Cataguás, que habitavam a Bacia do Rio Grande,
foram batidos pela Bandeira de Lourenço Castanho, o velho. Sant’Ana do Rio das Velhas foi fundada pelo Coronel Antônio
Pires de Campos, que comandando um grupo de índios mansos Bororós, Parecis, Javais e Carajás, em 1750, dali expulsou os temidos
Caiapós.
Não se sabe como tão grande quantidade de índios deixaram
de habitar a região. Se foram dizimados pelos primeiros posseiros ou se fugiram para o Brasil Central, ou, quem sabe, foram
arrebatados pelo grande Deus Tupã.
Os primeiros posseiros
brancos começaram a habitar a região entre o córrego “Sujo” e “Pirapitinga”, com suas toscas casas espalhadas pelo cerrado, povoação
incipiente e ainda sem nome, isto até 1839, quando foi instalado o distrito de “São José do Tijuco” pertencente
ao termo de Vila de Uberaba, em razão da doação que fora efetuado pelos beneméritos pioneiros: JOAQUIM ANTÔNIO DE MORAIS e
JOSÉ DA SILVA RAMOS (Mais ou menos em 1820), sendo que, posteriormente, outro abnegado posseiro: JOSÉ LEMES PEREIRA
DOS SANTOS, também fez doação de terras na fazenda do “Carmo”, em benefício do novel distrito.
Pela Lei nº 1360,
de 1866, já Freguesia, recebeu em definitivo o nome de “São José do Tijuco”.
A doação primitiva
tinha as seguintes características: iniciava-se na barra do córrego “Sujo” com o “Tijuco”, pelo córrego
acima até a junção deste com o córrego “Pirapitinga”, por este acima até sua cabeceira, e desta, pelas serras
até à cabeceira do córrego do “Burrinho”, por este abaixo até seu encontro com o ribeirão de “São Lourenço”,
por este abaixo até sua barra com o rio do “Tijuco” e por esta abaixo, até o ponto inicial; medindo tal doação
légua e meia de norte a sul e uma légua de leste a oeste, destinando-se tal doação, acrescidas pela gleba doada por José Lemes
Pereira dos Santos (“Carmo”), à Paróquia de “São José do Tijuco”; sendo que em 1910, quando
agente executivo da então “Vila Platina”, um de seus maiores benfeitores – Fernando Alexandre Vilela de
Andrade, por seu intermediário, o patrimônio da mitra diocesana foi adquirido e incorporado ao município, numa transação inteligente,
que custou apenas a importância de DEZ CONTOS DE REIS...
Por força da Lei
Estadual nº 139, de 16/09/1901, o então arraial de “São José do Tijuco” passou a denominar-se “Vila Platina”,
ocasião em que se desmembrou do município do Prata, fazendo parte integrante da nova comuna, os distritos de “São José
do Tijuco” e “Nossa Senhora do Rosário da Boa Vista do Rio Verde”-
o arraial do Monjolinho era sede do atual município de Campina Verde.
No dia 1º/01/1902
é que se instalou, em “VILA PLATINA”, seu primeiro governo municipal, quando foram empossados os seguintes dirigentes:
Agente Executivo (Prefeito) –
AUGUSTO ALVES VILELA
Presidente da Câmara –
PIO AUGUSTO GOULART BRUN
Vice-Presidente – TOBIAS
DA COSTA JUNQUEIRA
Secretário – AURELIANO
MARTINS DE ANDRADE (LICAS)
Vereadores: ANTÔNIO PEDRO GUIMARÃES
(MORAIS), CONSTÂNCIO FERRAZ DE ALMEIDA, MARINHO DIAS FERREIRA, JOSÉ DE ANDRADE E SOUSA, MANOEL TAVARES DA SILVA, MANOEL JOAQUIM
BERNARDES SOBRINHO, ANTÔNIO DA COSTA JUNQUEIRA E JOÃO EVANGELISTA RODRIGUES CHAVES (pelo distrito de “Rio Verde”-
hoje “Campina Verde”) cuja sede, por incrível que pareça, era no arraial de MONJOLINHO do Prata.
Em 10/01/1902,
foi sancionada pelo agente executivo Augusto Alves Vilela, a Lei Municipal nº 1, estabelecendo a área urbana e suburbana da
recém criada “Vila Platina” vazada no seguinte teor:
“Augusto Alves
Vilela, Agente Executivo Municipal de Vila Platina”.
Faço saber que a
Câmara Municipal decretou e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º - Fica compreendido
como perímetro urbano desta vila a área contida dentro das seguintes divisas: Principiando-se na rua da Bela Vista (hoje rua
16), por esta acima até a de Antônio Cesário (hoje princípios da Av.17-A); por esta acima até a ponte de Maria José (mais
ou menos onde hoje é a esquina da Av. 21 com Av. 17-A); pela rua Belo Horizonte (hoje av. 21) até seu final e daí à rua da
União (hoje rua 24); por esta abaixo até o Largo, passando por baixo da casa de Roberto Zocolli e até a rua José Martins (hoje
av. 7), e por esta abaixo até à rua Bela Vista (hoje rua 16).
Art. 2º - O perímetro
suburbano: ficam compreendidos todos os terrenos na extensão d’ um quilômetro para cada lado do urbano.
Art. 3º - Revogam-se
as disposições em contrário.
Mando, portanto,
a todas as autoridades e mais funcionários a quem o conhecimento e execução desta Lei pertencerem, que a cumpram e façam cumprir
inteiramente como nela se contém.
O Secretário da
Agência Executiva a faça publicar e correr.
Gabinete da Agência
Executiva de Vila Platina, 10 de janeiro de 1902.
O Agente Executivo
Municipal – AUGUSTO ALVES VILELA.
O Secretário –
COLETO DE PAULA”
Em 1915,
Ituiutaba foi elevada a TERMO JUDICIÁRIO com o nome atual de ITUIUTABA (cujo significado foi esclarecido no início desta obra),
através da Lei nº 663, de 18-09-1915, que alterou a divisão judiciária do Estado, continuando, entretanto, a pertencer
à comarca do Prata; mas somente foi oficializada esta Lei pelo Decreto nº 4759, de 25-04-1917, quando foi marcada a
data para a instalação do Termo, o que se efetivou em 06-07-1917, com a posse do primeiro juiz municipal – Dr. Luiz
Jefferson Monteiro da Silva.
Muitos trabalhos
tiveram os pró-homens de então, para que fosse criada a comarca em Ituiutaba, o que foi possível em virtude do art. 7º, da
Lei nº 879, de 24-01-1925, redigido nos seguintes termos: “Fica transferida para Ituiutaba a sede da comarca
de Monte Alegre, constituindo o atual território, de que se compõe este município, termo pertencente à comarca de Uberabinha”.
A instalação da
Comarca de Ituiutaba, teve lugar no histórico dia 12-04-1925, sob a presidência do Dr. NEWTON BERNARDES RIBEIRO DA
LUZ, que foi também o primeiro juiz de Direito de Ituiutaba.
É de se esclarecer
que foi o nome Ituiutaba, um neologismo ameríndio, feliz escolha do então líder político desta região, senador e intelectual
– CAMILO RODRIGUES CHAVES, um dos batalhadores para a inteira emancipação político-administrativa da terra tijucana.
Temos que admirar
e enaltecer o denodo daqueles que deram início ao gigantesco trabalho de colonização deste maravilhoso rincão, os quais, anonimamente,
se encarregaram do desbravamento da terra ainda bruta e virgem.
Os primeiros posseiros,
se instalaram na zona sul do município, por ser mais fácil o trato e o trânsito nesta região descampada, pois ao norte, estava
a quase impenetrável “mata do Paranaíba” cujo cultivo só foi possível,
em virtude da inquebrantável tempera de nosso caboclo.
Além de inúmeras
dificuldades, um dos maiores inimigos de nossos heróicos desbravadores, era representado pela terrível malária (maleita ou
impaludismo) e carência de transporte, o que tornava a penetração árdua e morosa, principalmente o de se vencer a mata virgem,
sendo que este trabalho se iniciava com a derrubada das seculares árvores, a machado, processo rudimentar, e manual, após
o que, aproveitando a área, plantava-se no tipo de “roça de Toco”. Algum tempo depois tudo era transformado em
magníficas invernadas de capim ”Jaraguá”. Iniciava-se nova “derrubada”, numa seqüência rotineira,
ao mesmo tempo em que se construíam: sítios, cercas, drenagens, pontes, estradas, etc.
Assim, numa luta
titânica, enfrentando as condições agressivas da própria natureza, mas escudados na maravilhosa fertilidade do solo, considerado
um dos mais férteis do mundo, no lado esquerdo do rio Paranaíba, a colonização atingiu as margens desse caudaloso rio, nossa
divisa com o estado de Goiás.
Com a expansão e
progresso do município e aumento extraordinário de sua população urbana e principalmente rural, foram criados no município
de Ituiutaba, os distritos de Santa Vitória, Capinópolis, Gurinhatã, Ipiaçu e Cachoeira Dourada, os quais, por sua vez, também
se transformaram em municípios, desmembrando-se do de Ituiutaba, o que no entanto,
não alterou o seu desenvolvimento e progresso.
De início, e até
mais ou menos o ano de 1925, precárias eram nossas condições de transporte , pois, o “carro de bois” era praticamente
nosso único veículo transportador, o qual, com sua lentidão peculiar, gastava inúmeros dias de viagem, às vezes quase um mês,
de ida e volta aos nossos fornecedores de então: Uberaba e São Pedro de Uberabinha (hoje Uberlândia); o que vem mostrar, que
apesar de moroso, foi sempre uma constante o desenvolvimento da terra Ituiutabana, aliando-se à sua evolução histórica.
As estradas, as
velhas estradas que nos ligavam aos demais pontos habitacionais da região, eram as seguintes: A que nos ligava com Uberaba,
iniciando-se em direção ao “São Lourenço”, depois “Três Barras”, Prata, “Rio do Peixe”
e Veríssimo. Com a então Uberabinha (hoje Uberlândia): Depois de atravessar o Tijuco, “Córrego Fundo”, Fazenda
dos “Ingleses” e Monte Alegre.
Com destino a Barretos
(São Paulo) – Existiam duas: uma via Prata e outra via Campo Belo (hoje Campina Verde), sendo que se encontravam em
“Areias” passando depois por Frutal, “Rio Grande” e “Laranjeiras”.
Para a zona de Santa
Vitória, “Porto Feliz”, e “Canal de São Simão”: Via “Campo Alegre”, rio da “Prata”,
“Santa Bárbara”, “São Jerônimo”, “Santos Fortes” e
“Patos”.
Para a região do
“Campo Alegre”, diretamente, existia uma estrada, que, saindo para os lados do córrego do “Carmo”,
margeava o “Tijuco”, ao longo de sua margem esquerda.
Para os lados de
“Cachoeira Dourada” e “Largo dos Baús”: Atravessava-se o “Tijuco” (na velha ponte levada
pela enchente de janeiro de 1958), tomava-se o rumo da serra da “Mamona”, depois, “Porteira do Serrote”,
“Ponte Alta” e “Barreiro da Cachoeira”.
Para o “Barreirão”
e “Fundão”: Atravessava-se a velha ponte do “Tijuco”, tomava-se a direção do “Bebedouro”,
“Ribeirão dos Baús”, “Córrego do Açude”, “Mosquito”, “Macaco” e “Vertentinha”,
seguindo-se ao longo da margem direita do “Rio Tijuco”.
Para a zona do “Queixada”
e “Sapé”: a mesma estrada inicial, para quem desmandava a o “Barreirão” (roteiro anterior), mas, nas
imediações da serra dos “Baú Velho”, a estrada certa era a da direita, passando-se por “Três Barras”
e “Quilombo”.
Naturalmente outras
estradas existiam, mas sempre se cruzando ou complementando as principais ora descritas, e não deve ser esquecida a que se
dirigia para o “Salto da Prata”, em direção ao córrego da “Chácara” “Monjolinho” e “Botafogo”,
atravessando a região de “São Vicente”, córrego da “Picada”, “Aldeia” e “Salto”.
Estradas que serviam
para o escoamento do gado, para as longas viagens dos monótonos e lerdos “carros de bois”, dos tropeiros, dos
cavaleiros e também dos andarilhos, pois, naquela época ainda não existiam por aqui os veículos motorizados.
Os vestígios de
tais estradas, testemunhas mudas de um tempo bastante distanciado, ainda poderão ser vistos pelos sulcos deixados pelos cantantes
“carros de bois”, de suas rodas, que tanto ajudaram o progresso de toda esta imensa zona; dos trilhos das boiadas
e das tropas; é só se dirigir para os lados do “São Lourenço”, “Burrinho”, “Carmo” e “Tijuco”, onde se encontram parte dos antigos “Corredores”,
os quais, no seu triste abandono, contam também a epopéia e a história pretérita da terra tijucana.
II - OS CICLOS
A PECUÁRIA
No início, e mais
ou menos até a década de 1930, a economia do município girava quase totalmente em torno da pecuária, pois a par das magníficas
invernadas, bem assim, dos campos e cerrados com forragem natural, com que foi dotado este município, era mesmo a principal
atividade comercial de então, quando o fazendeiro, obedecendo regra da época, criava e vendia o bezerro depois de desmamado,
reservando, as fêmeas, no intuito de aumento do rebanho. Tal procedimento, que passou de geração a geração, embora seguro,
permitia que a parte financeira se enfeixasse em poucas mãos, limitando assim a expansão e distribuição do dinheiro.
Os compradores,
inicialmente oriundos do município de Passos, cidade situada no sul de Minas, dominaram por longos anos o comércio de gado
nesta região, posteriormente tais transações passaram a ser efetuadas através de compradores paulistas, mais notadamente dos
invernistas de Barretos, cidade onde se instalara modelar Frigorífico de empresa inglesa para exportação de carne, tradicional
estabelecimento que perdura até os dias de hoje.
Em virtude do advento
da agricultura, diminui o número do rebanho bovino, mas, se diminuiu em quantidade, melhorou em qualidade, e Ituiutaba possui
um dos melhores tipos de gado zebu, tanto na parte de reprodutores, como no tipo para exportação.
E aquelas imensas
fazendas, verdadeiros latifúndios, foram sendo repartidas naturalmente, racionalmente nas heranças advindas, motivando tais
divisões mais facilidade para a expansão rural, todos tirando proveito da dadivosa terra ituiutabana.
O GARIMPO DE DIAMANTES
Houve época no período
de 1935 a 1945, em que o garimpo de diamantes, tomou praticamente o domínio das atividades e da economia ituiutabana. Instalou-se
nas cascalheiras, ao longo do rio do “Tijuco”, um dos maiores agrupamentos de garimpeiros que se teve notícia
na história de nosso País .
O saldo positivo,
com a implantação do garimpo, foi mínimo, quer como contribuição ao progresso, quer como contribuição histórica.
Como se sabe, o
garimpeiro é um “nômade”, ele está onde a fama do garimpo lhe reclama a presença e apesar de que nos garimpos
do “Tijuco” fossem encontrados maravilhosos diamantes, tanto no leito do rio bem assim, nos “Monchões”
e nas “Grupiaras”, foi efêmera a faiscação de pedras preciosas neste município, e assim como começou, também terminou,
quase que de repente, transferindo a ilusão do garimpeiro para outros garimpos mais promissores...
A AGRICULTURA
Foi com o desenvolvimento
da agricultura, principalmente da lavoura mecanizada, em larga escala, aproveitando-se da extraordinária fertilidade de seu
solo, que Ituiutaba teve sua verdadeira redenção econômica. Possuindo terras
apropriadas, oferecendo facilidade no seu amanho, por extensas faixas planas, deu um verdadeiro salto do plantio rudimentar
ao processo mecanizado no cultivo de cereais.
O pioneiro da lavoura
mecanizada, neste município, foi o inesquecível Sr. ADELINO DE OLIVEIRA DE CARVALHO, digno e honrado filho desta terra, que
fez arar o primeiro terreno para fins agrícolas em 1920. Isto por anos consecutivos, na fazenda então de sua propriedade,
denominada “Cachoeirinha”, situando-se este local, à margem direita do rio “Tijuco”, ao alto, quase
em frente à “Barra do Córrego Sujo”.
Como já foi dito,
até então lugares escolhidos para os plantios de cereais, a denominada “roça de toco”, ocorria após a derrubada
da mataria; esperava-se certo tempo para secar, quando se fazia a “queima” das árvores abatidas. Efetuava-se então
o que se chamava “desencoivarar”, ou seja, arrastar para fora, no ombro do próprio trabalhador, toda a madeira
que fosse aproveitável, plantando-se então os cereais, com enxada ou enxadão, nos intervalos dos troncos maiores, em covas
alternadas. Já a colheita, tanto o corte do arroz, como a “quebra” do milho e “secagem” do feijão,
(que eram os principais cereais da época), o empilhamento, a “bandeira”, tudo era manual, muito complicado e difícil.
Hoje Ituiutaba se
orgulha de possuir um dos maiores parques agrícolas mecanizados do país, apresentando-se como um dos municípios mais evoluídos,
utilizando todos os modernos implementos agrícolas tão necessários à racional e progressiva produção, tendo em vista que Ituiutaba
é um dos maiores produtores de cereais de todo o Brasil, principalmente de arroz
e de milho.
Para Ituiutaba,
foi maravilhosamente benéfico este ciclo, que veio cristalizar sua base econômico-financeira, tendo este município se transformado
quase que numa só seara, sendo conhecido como “Capital do Arroz”, graças principalmente, às suas inigualáveis e fertilíssimas terras.
Já se nota, aliás
em bom tempo, a diversificação da lavoura, com plantio alternado, com a vantagem de uma safra compensar a outra evitando-se,
outrossim, a natural saturação do solo.
Lamentavelmente,
a derrubada das matas foi efetuada sem qualquer planificação, o que ocasionou uma devastação quase total. Não se cuidou da
conserva ou replantio das árvores abatidas, já se fazendo necessário acurado estudo para um reflorestamento metódico, tendo
em vista as necessidades da região.
Hoje, fica para
lembrança, desta saudosa época, os grandes armazéns onde estavam instaladas as máquinas de arroz. São enormes imóveis com
pé-direito bastante alto, com paredes bem grossas de formato retangular, que aparecem em várias partes da cidade.
A INDUSTRIALIZAÇÃO
Pelas pesquisas
efetuadas, pode-se afirmar que a primeira tentativa de se estabelecer uma indústria em Ituiutaba, foi representada por uma
fábrica de cerveja, de propriedade do saudoso Sr. JOSÉ CÂNDIDO DE SOUSA, cerveja que tinha a marca “Estrela”,
isto em 1910, e ficava referida fábrica onde hoje é esquina da rua 22 com avenida 19, mas de pouca duração.
Mais ou menos em 1915, foi instalada a primeira máquina de beneficiar arroz, de propriedade
do Sr. JOSÉ TEMÍSTOCLES PETRAGLIA, de parceria com seu sogro Sr. ANTÔNIO SEVERINO, sendo que a mencionada máquina era movida
à força hidráulica, e situava-se à margem direita do córrego “Sujo”, abaixo da junção deste com o córrego do “Carmo”,
não muito distante da barra do “Tijuco”. Até hoje, aquele local é conhecido como “Poço da máquina”;
e é de se anotar, que tal máquina prestou grande benefício aos habitantes de então, por vários anos, pois antes o arroz era
“limpado”, ou nos tradicionais “monjolos” ou nos “pilões” domésticos onde era socado à
mão.
Mais ou menos de
1922 a 1925, o Sr. ANTÔNIO RODRIGUES CHAVES, montou a primeira máquina de beneficiar algodão deste município, que teve pouca
duração, por motivos vários, principalmente pela falta da matéria prima.
Ainda na década
de 1920, organizou-se uma firma composta dos senhores: Januário Betone, Armando Fratari e Gustavo Maia de Menezes, com a finalidade precípua da industrialização da madeira, e ficava esta serraria onde hoje se situa o quarteirão
da rua 22 entre avenidas 17 e 19, tudo movido a eletricidade, mas, por motivos que se ignoram, também teve pouco tempo de
atividade, montando-se em seu lugar u’a máquina de beneficiar arroz, que
ali permaneceu por algum tempo.
Mais ou menos, entre
1925 a 1930, por iniciativa do Sr. TONICO FRANCO, foi instalada nova máquina de beneficiar arroz, que ficava no quarteirão
da atual rua 20, entre avenidas 5 e 7, e, apesar de pequena, havia falta da matéria prima – o arroz -, produto que mais
tarde, viria ser a principal razão do progresso de Ituiutaba, que passou a ser denominada “a capital brasileira do arroz”.
Somente em 1938
teve Ituiutaba instalação de indústria duradoura que perdura até hoje, em crescimento sempre acentuado. Trata-se de da firma
“Baduy e Cia.”, que se transformou em indústria pioneira, em atividade sempre contínua, evoluindo sempre na tradicional
e respeitável “Indústrias Fazendeiras”, que congregava: várias máquinas de beneficiar arroz, máquinas de beneficiar
algodão, fábrica de óleos vegetais (algodão, etc.), fábrica da afamada manteiga “Fazendeira” (esta adquirida de
Mário Natal Guimarães), pasteurização de leite, havendo ainda possibilidades de ampliação de seu parque industrial.
Também a fábrica
de manteiga “Invernada”, que mantém inclusive grandes máquinas de beneficiar arroz e derivados, propriedades de
filhos do saudoso Miguel Jacob, indústria fundada antes de 1940, é motivo de orgulho desta comunidade.
Outras indústrias
vieram aos poucos aumentar o ritmo industrial de Ituiutaba, principalmente no que se refere ao setor de rizicultura, contando
atualmente com mais de 100 máquinas de beneficiar arroz e seus subprodutos.
Ituiutaba, no momento,
conta com as seguintes fábricas: de papel e sacos do mesmo material (1), de refrigerantes (1), de óleos vegetais (3), de caramelos
(1), de macarrão (1), de cerâmica (várias), de fertilizantes, beneficiamento do algodão, de calçados, de sabão, de colchões,
etc, etc.
Possui Ituiutaba,
um dos mais bem montados Frigoríficos do País, o Frigorífico Ituiutaba S.A, situado à margem direita do rio do “Tijuco”,
distando pouco mais de seis quilômetros da cidade, com tendência de ampliar sua expansão. Este Frigorífico, construído em
1952, exporta carne para as grandes cidades de nossa Pátria, e bem assim, para várias nações estrangeiras.
Ainda no setor industrial
– histórico desta terra, deve-se assinalar, que mais ou menos entre 1925 a 1930, também o Sr. Clarindo de Sousa Martins,
tentou dotar Ituiutaba com indústria de banha, salames, mortadelas, salsichas, etc., à margem esquerda do “Córrego Sujo”,
onde o mesmo é cruzado pela Avenida 5-A.
III – EVOLUÇÃO POLÍTICA
A evolução política
da cidade de Ituiutaba segue a seguinte cronologia;
|
FUNÇÃO |
NOME |
DATA |
|
1º
Agente Executivo |
Capitão
Augusto Alves Vilela |
1902
- 1905 |
|
2º
Agente Executivo |
Tobias
da Costa Junqueira |
1905 |
|
3º
Agente Executivo |
Francisco
Alves Vilela |
1905
– 1907 |
|
4º
Agente Executivo |
Dr.
Fernando Alexandre Vilela de Andrade |
1908
– 1911 |
|
5º
Agente Executivo |
Coronel
João Martins de Andrade |
1912
– 1918 |
|
6º
Agente Executivo |
Antônio
Domingues Franco |
1919
– 1922 |
|
7º
Agente Executivo |
Coronel
João Martins de Andrade |
1923
– 1925 |
|
8º
Agente Executivo |
Antônio
Domingues Franco |
1925
– 1926 |
|
9º
Agente Executivo |
Augusto
Martins de Andrade |
1927
– 1931 |
|
10º
Prefeito Municipal “Nomeado” |
Dr.
Jayme Ribeiro da Luz |
1931
- 1935 |
|
11º
Prefeito Municipal “Nomeado” |
Dr.
João Alberto da Fonseca |
1935 |
|
12º
Prefeito Municipal |
Adelino
de Oliveira Carvalho |
1936
- 1940 |
|
13º
Prefeito Municipal “Nomeado” |
Jayme
Veloso Meinberg |
1940
- 1945 |
|
14º
Prefeito Municipal |
Dr. José Américo de Macedo |
1945 - 1946 |
|
15º
Prefeito Municipal |
Dr.
Camilo Chaves Júnior |
1945 |
|
16º
Prefeito Municipal |
Dr.
Camilo Chaves Júnior |
1946 |
|
17º
Prefeito Municipal “Nomeado” |
Dr.
Adolfo Mário de Andrade |
1946 |
|
18º
Prefeito Municipal “Nomeado” |
Dr.
James de Barros |
1947 |
|
19º
Prefeito Municipal “Nomeado” |
Dr.
Omar de Oliveira Diniz |
1947
- 1948 |
|
20º
Prefeito Municipal |
Mário
Natal Guimarães |
1948
- 1951 |
|
21º
Prefeito Municipal |
Dr.
David Ribeiro de Gouveia |
1951
- 1954 |
|
22º
Prefeito Municipal |
Antônio
de Souza Martins |
1954
- 1958 |
|
23º
Prefeito Municipal |
Dr.
David Ribeiro de Gouveia |
1958
- 1962 |
|
24º
Prefeito Municipal |
José
Arcênio de Paula |
1962
- 1963 |
|
25º
Prefeito Municipal |
Dr.
Rodolfo Leite de Oliveira |
1963
- 1964 |
|
26º
Prefeito Municipal |
Geraldo
Gouveia Franco |
1964
- 1966 |
|
27º
Prefeito Municipal |
Samir
Tannús |
1966
- 1970 |
|
28º
Prefeito Municipal |
Dr.
Hildo Alves Gouveia |
1970 |
|
29º
Prefeito Municipal |
Dr.
Álvaro Otávio de Andrade |
1971
- 1973 |
|
30º
Prefeito Municipal |
Dr. Fued José Dib |
1973 - 1977 |
|
31º
Prefeito Municipal |
Acácio
Alves Cintra Sobrinho |
1977
- 1983 |
|
32º
Prefeito Municipal |
Romel
Anísio Jorge |
1983
– 1988 |
|
33º
Prefeito Municipal |
Dr.
Gilberto Aparecido Sobrinho |
1989
- 1992 |
|
34º
Prefeito Municipal |
Dr.
João Batista Arantes da Silva |
1993
– 1996 |
|
35º
Prefeito Municipal |
Dr.
Públio Chaves |
1997
– 2000 |
|
36º
Prefeito Municipal |
Dr.
Públio Chaves |
2000
- 2004 |
|
37º
Prefeito Municipal |
Dr. Fued José Dib |
2005 - 2008 |
38º Prefeito Dr. Públio Chaves
2009....
HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE CAPINÓPOLIS – MG
Os primitivos habitantes do território foram os índios caiapós e alguns elementos da tribo Panariá. Eram nações que
habitavam a região próxima ao Rio Paranaíba e aos diversos ribeirões do município. Viviam
da caça e, principalmente, da pesca, pois a região, antes da instalação das usinas hidrelétricas na região, era muito rica
em pescados. Foram achados diversos vestígios das civilizações pré-históricas no município de Capinópolis.
Os
primeiros colonizadores que se tem notícia foram donos de sesmarias: Alferes José Rodrigues da Silva, Da. Francisca Ângela
da Silva e José Luciano Teixeira, como os primeiros a se fixarem nessa região, por volta de 1810. Como a região era vastíssima
a sesmaria ainda não era toda conhecida pelos colonos. Acreditamos que os índios foram saindo pouco a pouco da região e sendo
dizimados por investidas de várias bandeiras que vinham limpar o local da presença dos índios.
No dia 09 de janeiro de 1893, saíram
de São João Del Rei, sul de Minas, o sr Joaquim Maximiano, sua esposa Maria Francisca e quatro filhos, com tropa de animais
cargueiros, aqui chegando no dia primeiro de março de 1893, acampando primeiramente na beira de um córrego, hoje denominado
Córrego do Capim, próximo ao local onde hoje se encontra a ponte de saída para o município de Cachoeira Dourada.
Como nesse tempo essas terras estavam abandonadas, os mesmos se apossaram de uma área e foram adquirindo outras, formando
um grande latifúndio.
Depois de alguns meses, resolveram construir um ranchão, de madeira, no local onde hoje é a fazenda do sr Joaquim de
Almeida, onde seria sua sede principal.
O sr Joaquim Maximiano de Almeida, na época
com 31 anos de idade e sua esposa Da. Maria Francisca de Jesus, 27 anos de idade, tiveram quatro filhos. Começou o plantio
de café na região onde permaneceu. Seu filho Jerônimo Maximiano da Silva nasceu no dia 28 de fevereiro de 1896, na região
denominada hoje, Fazenda dos Baús. Essas terras foram adquiridas pelo seu pai. Desde menino auxiliava seu pai no plantio e
colheita de café e outros produtos para serem vendidos em Uberlândia e Uberaba. O transporte desses produtos era feito em
carro de bois. Aos 22 anos de idade, Jerônimo Maximiano da Silva casou-se com Maria Silvério do Prado, filha de Luiz Bento
Parreira e de Matilde Severino da Silva, da região do Córrego do Açude. Recebeu terras por doação de seu pai Joaquim Maximiano
de Almeida. Em 1921 aumentou sua área rural adquirindo terras de Francisco Isaías da Silva e outros. Nessa época o plantio
de café, mandioca, cana, milho e arroz se desenvolveram em sua propriedade e o aglomeramento de pessoas foi aumentando em
torno de uma área de capim. O capim Jaraguá era nativo e servia para a alimentação dos animais, daí surgiu o nome do lugar
“Capim”. As construções das casas eram de pau-a-pique e foram aumentando fazendo com que o arraial do Capim crescesse
também.
Nos fins do século XIX e meados do século XX, com a vinda de negros de origem escrava, nordestinos, imigrantes libaneses,
japoneses e italianos começaram no Capim as bases de uma nova povoação.
Em 1927 o local da sede do Município era de propriedade do sr Jerônimo Maximiano da Silva, que resolveu lotear uma
parte da propriedade para a fundação de um povoado. No dia 05/07/1927 foi concluído o levantamento topográfico com o engenheiro
agrônomo José Cirilo de Paula, que foi contratado para esse fim, e foram vendidos vários lotes, mas como os compradores não
se preocupavam em construir, o sr Jerônimo Maximiano da Silva resolveu readquirir os lotes e ele mesmo tomou novas iniciativas
para o progresso do local.
A comunicação com o Município de Ituiutaba era feita por meio de estrada de bois. Para trazer o primeiro veículo ao
Arraial do Capim, um Ramona (camionete) ano 1927, foi construído um trecho de estrada ligando a estrada do Córrego do Açude,
passando pelo lado direito do Bauzinho e pelo Baú Velho. Na propriedade de Jerônimo Maximiano da Silva foi construído um engenho
de cana de açúcar. As canas para o engenho eram transportadas em carros de bois.
Com a instalação do Distrito e do Cartório do Registro Civil e casamento, Jerônimo Maximiano foi o Juiz de Paz e fez
o primeiro casamento no Distrito do Arraial do Capim.
Em 1937 construiu o prédio da primeiro grupo escolar, em 1940, com a ajuda de todos, construiu a capela de São Pedro
e um dos seus genros construiu o campo de aviação.
DESENVOLVIMENTO
POLÍTICO
Em 31 de dezembro de 1943, através da Lei nº 1058, com território sob jurisdição de Ituiutaba – MG criou-se o
Distrito Arraial do Capim. Sua instalação deu-se a primeiro de janeiro de 1944. Explica-se o nome devido a uma coroa de capim
Jaraguá existente no local onde seria no novo povoado.
Em 12 de dezembro de 1953, através da Lei Estadual nº 1039 elevou-se a Município com o nome de Capinópolis com o distrito
sede e o distrito de Cachoeira Dourada.
A comunidade negra foi importantíssima no processo de emancipação da cidade, pois aqui havia um quilombo da época da
escravidão.
O Brasão municipal foi criado pelo Decreto nº
108, de 05 de junho de 1968. As três coroas sobrepostas significam a evolução política de aldeia para cidade. As faixas em
escarlate simbolizam a fertilidade do solo agricultável, cortado por sulcos de drenagem e curvas de nível, representando o
progresso da técnica do sustento agrícola. As duas palmas que ladeiam o escudo simbolizam as diversas categorias de culturas
agrícolas.
Prefeitos:
Dr.
Cássio Macedo
(1955 a 1958)
Odovilho
Alves Garcia
(1959 a 1962)
Osvaldo
Nozzela
(1963 a 1966)
João
Batista Ferreira
(1967 a 1970)
Iolando
Ângelo da Silva
(1970 a 1972)
João
Batista Ferreira
(1973 a 1976)
Antônio
Teodoro de Alvarenga
(1977 a 1983)
Osvaldo
Prado
(1983 a 1988)
Cândido
Antônio Vaz
(1989 a 1992)
Osvaldo
Prado
(1993 a 1993)
Ibrahin
Bechara Younes
(1993 a 1996)
Lucimar
Batista Belchior
(1997 a 2000)
José
Neto Santana (2001 a 2004)
José
Neto Santana
(2005 a 2008)
Dinair
Isaac
(2009..... )
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